#FoodPorn?


source | yahoo.com

Por favor, tentem ignorar a imagem da bifana vietnamita na barra do instagram localizada à direita deste post e analisem a imagem acima.
Muito embora esta seja suficientemente explícita sobre qual o tema deste post, gostaria de começar por aqui.

Há alguns dias atrás li este artigo (não sei bem como me cruzei com ele) e posso dizer que, se por um lado, me revi totalmente no conteúdo exposto, por outro, senti alguma vergonha por assim ser.
O Daniel Riley, um jovem americano de 28 anos, a viver em NYC, dá-nos o seu testemunho sobre como, perante uma economia em crise, os restaurantes tomaram o lugar da música, do cinema, do teatro, da moda, e passaram eles a ser tema central de conversa entre a sua geração.

“Layer on the recession and you had a dining environment that seemed specifıcally targeted at the young and cash-strapped. While we had to give up some of the “fancy” stuff we couldn’t really drain our bank accounts for anymore (concerts, plane tickets, trendy clothes), there was this other culture thing—eating—that we had to do a few times a day, anyway. And these restaurants—with their tatted-up chefs barking orders over a Zeppelin Pandora station—acted as proxies for the culturally cool things we couldn’t afford.”

Tal como o Daniel, também eu sou profundamente culpada de, durante o jantar, conversar sobre outros sítios bons onde jantei ou outros onde pretendo jantar.
E posso declarar-me também profundamente culpada de propagar Food Porn nas redes sociais e Instagramar pratos deliciosos que provo ocasionalmente.

Não estou sozinha, claro, e acho que sou até bastante discreta e não incomodo ninguém com o meu foodstagramming. Aparentemente em NYC este trend foi de tal modo explosivo que desencadeou uma reacção por parte dos restaurantes que proibiram os seus clientes de instagramar a sua comida (aqui e aqui).

Sobre esta reacção dos restaurantes os meus sentimentos são contraditórios. Se por um lado percebo que possam existir atitudes altamente reprováveis (afinal, um cliente, de pé em cima da sua cadeira, de modo a captar uma vista de cima do seu prato é, obviamente, um comportamento absurdo e que incomoda os restantes), por outro, espalhar estas fotos dos pratos dos restaurantes pelas redes sociais é, também, uma forma de publicidade gratuita, logo, positivo para os restaurantes (o errado será o comportamento excessivo e não o facto de se instagramar um hamburguer suculento ou umas ameijoas à bulhão pato e, talvez a coisa se resolvesse chamando à razão o louco empoleirado em cima da cadeira). Mas a razão é característica que parece estar cada vez mais em falta…por isso, quem sou eu para condenar as respostas excessivas?

Aparentemente, em alguns restaurantes, a política é “pode fotografar mas sem flash” e parece que a comida se está a confundir perigosamente com a arte (claro que aqui o flash é proibido para não incomodar o vizinho da mesa ao lado… e essa é também a razão pela qual hoje em dia, em qualquer concerto, peça de teatro ou espectáculo de dança um espectador que tente registar um momento desses é imediatamente perseguido pelo pessoal de sala…).

Qual é a razão deste comportamento obsessivo com a comida? É a falta de outro denominador cultural comum como dizia o Daniel? É a necessidade excessiva de partilhar todos os momentos da nossa vida nas redes? É a reacção natural decorrente da enchente de programação televisiva centrada em comida? Afinal, se no Masterchef Australia Junior qualquer criança de 10 anos domina o vocabulário gastronómico, porque não havemos também nós ser capazes de emitir opiniões válidas que cruzam termos como crocante, textura, aroma, etc e sentirmo-nos no direito de dar a nossa avaliação positiva propagando imagens de pratos requintados. Ou será pura e simplesmente que, como gostamos de comer, temos prazer em partilhar com os outros aquilo que proporcionou algum prazer às nossas papilas? Ou é apenas porque, às vezes, um prato de comida é uma composição bonita que queremos partilhar?

Seja qual for a razão, vou tentar reduzir a partilha de #Foodporn nas minhas redes. E vocês?


source | nytimes.com

Please try to ignore the photo of the Vietnamese pork sandwich on the right and concentrate in the picture above. Although it is explicit enough about what the theme of this post is, I would start with this.

A few days ago I read this article (not sure how I came across with it) and I can say that if, on the one hand, I totally saw myself in the content stated, on the other hand, I felt some shame for being so.
Daniel Riley, a 28 year old American male, living in NYC, gives us his testimony about how an economic crisis gave birth to this phenomenon where restaurants have taken the place of music, film, theater, fashion, and became central topic of discussion among his generation.

“Layer on the recession and you had a dining environment that seemed specifıcally targeted at the young and cash-strapped. While we had to give up some of the “fancy” stuff we couldn’t really drain our bank accounts for anymore (concerts, plane tickets, trendy clothes), there was this other culture thing—eating—that we had to do a few times a day, anyway. And these restaurants—with their tatted-up chefs barking orders over a Zeppelin Pandora station—acted as proxies for the culturally cool things we couldn’t afford.”

Like Daniel, I am also deeply guilty of, during dinner, talking about other good restaurants where I dined or where I intend to have dinner.
And I declare myself also deeply guilty of propagating Food Porn in the social networks and Instagramming delicious dishes that I occasionally taste.

I’m not alone, of course, and I think I’m actually quite mild and do not bother anyone with my foodstagramming. Apparently in NYC this trend was so out of control that triggered a reaction from restaurants that have banned their clients from instagramming the food (here and here).

About this reaction from the restaurants I have mixed feelings. On one hand I realize that there may be highly reprehensible attitudes (after all, a customer, standing up from his chair, to geld a top view of his plate is, obviously, absurd behavior that bothers the others), secondly, to spread these pictures of dishes from restaurants through social networks is also a form of free advertising, therefore a positive thing for the restaurants (what is wrong is the excessive behavior and not instagramming a juicy burger or plate of clams and perhaps the thing can be resolved by calling the mad person on the chair to reason). But reason seems to be running short… so who am I to condemn the excessive responses?

Apparently, at some restaurants, the policy is “you can shoot but without flash” and it seems that the food is being dangerously confused with art (of course here the flash is prohibited not to disturb the neighbors at the next table and… this is also the reason why today, in any concert, play or dance performance a spectator who tries to register such a moment is immediately chased by the staff…).

What is the reason for this obsessive behavior with food? Is it the lack of other common cultural denominator as Daniel stated? Is it the excessive need to share every moment of our lives in the social networks? Is it the natural reaction resulting from this flood of television programming focused on food? After all, if the Junior Masterchef Australia any 10 year old mastered the gastronomic vocabulary, why should we not also be able to provide valid opinions that cross terms like crunchy texture, aroma, etc. and feel entitled to give our review, spreading positive images of exquisite dishes. Or is it simply that, as we like to eat, we are pleased to share with others what gave us some pleasure? Or is it just because, sometimes, a meal is a beautiful composition that we want to share?

Whatever the reason, I will try to reduce the sharing of #Foodporn in my social media. What about you?

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