Marraquexe | Marrakech

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source | mine
Marrocos é um destino que há muito queria visitar. Imagens de cores intensas sobre um fundo cor de terra enchiam-me de inspiração e, aqui ou ali, Marrocos era descrito como um território impressionante e poético.
Marraquexe, com o contraste entre o árido deserto de Agafay e o conforto e requinte dos pátios ajardinados dos seus riads, parecia-me o ponto de partida ideal para uma primeira descoberta de Marrocos.
Da janela do avião, à chegada, via um território côr de terra a perder de vista, com construções que se elevavam com a mesma gama cromática, como se da mesma matéria se tratasse, e a sua integração parecia perfeita. Os campos, em torno da cidade, estavam meticulosamente ordenados e o seu verde era o contraponto perfeito para os tons quentes que cobriam tudo o resto. Dali, já quase conseguia sentir o calor que crepitava junto ao solo e os cheiros que, certamente, se fariam sentir de forma intensa.
À chegada, percebo que é difícil a realidade corresponder ao imaginário rico que criara em torno desta cidade. Os cheiros são intensos. Por todo o lado sentimos o perfume de cominhos e outras especiarias. Os sons são intensos. O fluxo automóvel é frenético, impaciente, e carros e motas parecem seguir apenas em frente, com ânsia de chegar.
O primeiro camelo, e que seria também o único que veria, estava amarrado junto a uma rotunda e, reduzido a atracção turística, perdera todo o seu encanto e nobreza.
O primeiro encontro com a Medina é difícil. À natureza intrincada e quase obscura do espaço público sobrepõem-se o caos, a desorganização, as motas, as bicicletas, os chamamentos constantes dos vendedores que tentam adivinhar a nossa origem.
O sol é filtrado pelas esteiras de palha que se estendem sobre as ruelas, e quando uma porta é entreaberta, por vezes, vislumbro um pátio e aí,
perplexa, fico momentaneamente desorientada com a aquele exterior que parece interior e que, ora aqui abre para um compartimento interior, ora ali abre sobre um espaço exterior. Mas não tenho tempo para me demorar com estas considerações.
“Italianos? Espanhóis? ”
“Portugueses! “– respondemos para, inevitavelmente, ouvir um “Cristiano Ronaldo! Bacalhau cozido!” ou, pontualmente, “Crise”.
Sons, cores, cheiros, tudo me atinge de forma intensa e tenho dificuldade em apreciar.
Fora da Medina a vida corre a um passo mais certo, mais familiar.
Chegada a Agafay sinto-me descansada. Ali o silêncio é o ouro que faltou em Marraquexe e o Atlas um horizonte com promessas de mais diferença e, quem sabe, mais inspiração.
Em Agafay encontrei a pausa e o escanso que me permitiram recentrar expectativas e preparar para enfrentar de novo a impertinência e o frenesim de Marraquexe.
E de regresso, tudo me pareceu diferente, mais calmo, mais familiar. E consegui encontrar, aqui e ali, o encanto que procurava.

Morocco is a destination that I had long wanted to visit. Images of intense colors on a eathly coloured background filled me with inspiration and, here and there, Morocco was described as a stunning and poetic territory.
Marrakech, with the contrast between the arid Agafay desert and the comfort and refinement of its riads green courtyards, seemed the ideal starting point for a first discovery of Morocco.
From the airplane window, I could see a earth coloured territory, with buildings that rose with the same color range as if it they were made from the same matter, and their integration seemed perfect. The fields, around the city, were meticulously arranged and its green was the perfect counterpoint to the warm tones that covered everything else. From there, I could almost feel the heat crackling close to the ground and the smells that, certainly, would be felt intensely.
Upon arrival, I realized that it is difficult for reality
to match the rich imaginary that I had created around this city. The smells were intense. Everywhere I felt the scent of cumins and other spices. The sounds were intense. The car flow was frantic, impatient, and cars and bikes seemed to follow straight ahead with eagerness to arrive.
The first camel I saw, and that would be the only one I would see, was tied up next to a roundabout and reduced to nothing but a tourist attraction, loosing all its charm and nobility .
The first encounter with the Medina is difficult. The intricate and almost obscure nature of the public space overlaps with chaos, disorganization, motorbikes, bicycles, the calls from vendors trying to guess your origin .
The sun is filtered through straw mats that cover the streets, and when a door is opened, sometimes I could glimpse a courtyard and then, perplexed, I momentarily felt disoriented with that exterior that looks lika an inside, and that opens up, now and then, to an interior compartment or an exterior space. But I don’t have time to dwell on these considerations .
“Italians? Spanish?”
“Portuguese” – we answer to inevitably hear “Cristiano Ronaldo! Baked cod! ” Or, occasionally, “Crisis”.
Sounds, colors, smells, everything hits me intensely and I have difficulty appreciating everything around me.
Outside the Medina life runs in a more familiar and steady pace .
Arriving the Agafay desert I feel rested. There, silence is the gold I was lacking in Marrakech and the Atlas a horizon with promises of more difference, and perhaps more inspiration.
In Agafay I found the break that allowed me to refocus and value my expectations and then prepare to face again the impertinence and frenzy of Marrakech.
Going back, everything seemed different, calmer, more familiar. And I could find, here and there, the charm was looking for.

 

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