Tempo | Time

“Mas para que é que serve o tempo se ficas olhar para ele?” in Antena3, Conversa de Raparigas

Há dias e dias que o tempo não me sai da cabeça. O tempo, esse instrumento tirano que mede a sequência irreversível das coisas. Do que vivemos, do que imaginamos. Passado, presente, futuro…antes, depois…

Tenho tido tempo, muito tempo, para pensar no tempo. Minto. Tenho tido mais tempo para pensar no tempo, porque o tempo, esse, nunca me deu tempo para não pensar nele. Esteve sempre lá, a lembrar-me, como diz o outro, que ele, o tempo, envelhece depressa.

Nunca gostei das marcações do tempo que passa, pelo menos das do meu. Mas vou sempre passando por elas com aquela sensação de que, de alguma forma, há mais tempo. Como se de um mar infinito de tempo se tratasse.

Mas o mar não é infinito, cabe entre o céu e a terra.

O tempo, infinito, esconde a finitude do tempo que é o nosso. Esconde-a atrás da infinitude do tempo que é de todos, das suas rotinas, e deixa-o ser engolido pelas trivialidades dos dias que correm, um atrás do outro… por vezes espreita e diz-nos que está lá, que não nos esqueçamos… mas logo a seguir, esquecemos.

Perguntam  sobre o rendimento do tempo…se rende mais o tempo passado a fazer coisa nenhuma ou se, pelo contrário, o tempo gasto em coisas  que preenchem listas, mais ou menos imaginárias, dá mais rendimento ao próprio. Se por render entender ser proveitoso, então, o tempo finito é mais proveitoso quando passado na sequência dessas coisas nessas listas mais ou menos imaginárias.

A D Fanning, com as longas listas que preenchem a sua vida (1,2,3, 21 filmes; 1,2,3, centenas de actores; 1,2,3, milhares de fotografias; 1,2,3, dezenas de países… cores… imagens…) disse “sinto que já vivi muito, mas depois caio em mim e apercebo-me de que tenho apenas 17 anos!”. Os 17 dessa unidade de tempo que é o ano renderam, preenchidos pela multitude de eventos.

Se o tempo, esse instrumento tirano, mede a sequência das coisas, então precisa das coisas para lhe conferir corpo. E se o tempo envelhece depressa, então a emergência das coisas é grande, tal como a emergência do tempo, para que não fiquemos a olhar para o tempo.

1 coisa, 2 coisas, 3 coisas, …. até chegar a coisa nenhuma.

“But what is time for if you stand staring at it?” In Antena 3, Conversas de Raparigas

For days and days, time has been on my mind. Time,  the tyrant instrument that measures the irreversible sequence of things. What we live, what we imagine. Past, present, future … before, after …

I have had long, long time to think about time. I lie. I had more time to think about time, because time, it never gave me time not to think about it. He was always there to remind me, as they say, that it, time, was aging quickly.


I never liked the markings of the passing of time, at least mine. But I always go through them with the feeling that, somehow, there is still more time. As if an endless sea of time it was.

But the sea is not infinite, it is between heaven and earth.


The time, infinite, conceals the finiteness of the time that is ours. Hidden behind the infinity of the time that is off all of us, of our routines, and swallowed by the trivialities of days passing by, one after another … sometimes it comes up and tells us that it is there, do not forget … but soon after, we forget it.

Ask about the return on time … it yields more time spent doing nothing or, rather, the time spent on things that fill lists, more or less imaginary, gives more yield to itself. If by yeld you mean useful, then, the finite time is more useful when passed in that sequence of things on those lists, more or less imaginary.

AD Fanning, with long lists that fill her life (1,2,3,21 movies; 1,2,3, hundreds of actors; 1,2,3, thousands of photos; 1,2,3, dozens of countries… colors..images …) said  “I feel I’ve lived a lot, but then fall on me and I realize that I’m only 17 years.” The 17 units of that unit of time that this is the year, yeld, completed by the multitude of events.

If time, that  tyrant instrument, measures the sequence of things, then it needs things to fullfill it. And if time is aging quickly, then the emergence of affairs is large, such as the emergence of time, so that we do not end up staring at time.
One thing, two things, three things …. until you come to anything.
 
 
 
1 comment
  1. pat said:

    quanto tempo o tempo tem… nunca o suficiente!🙂

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